Dívida de MEI com banco terá desconto mínimo de 90%: como vai funcionar

Por Amigo Rico

15 de outubro de 2026

O Ministério da Fazenda assinou em 13 de outubro de 2026 uma portaria que inclui as dívidas de microempreendedores individuais com bancos na terceira fase do programa de renegociação, o Desenrola 3.0. O governo vai lançar um edital para comprar essas carteiras das instituições financeiras, que precisarão oferecer desconto mínimo de 90%, segundo o Ministério da Fazenda.

Se você tem CNPJ de MEI e uma dívida com banco ou maquininha que travou seu crédito, essa é a medida mais próxima de um alívio real anunciada para a categoria em 2026.

Em resumo: o governo identificou cerca de R$ 6 bilhões em dívidas bancárias de MEIs e vai comprá-las dos bancos com desconto mínimo de 90%. Por enquanto, o MEI não precisa fazer nada: a negociação é entre governo e instituições. O perdão das dívidas com a União e o novo teto de faturamento ainda dependem do Congresso.

 

Como vai funcionar a compra das dívidas pelos bancos

A lógica é de leilão invertido. Bancos e instituições de pagamento que quiserem vender suas carteiras de crédito de MEIs entram no edital com uma proposta de desconto, que não pode ser menor que 90%. As carteiras com os maiores descontos têm prioridade na compra.

O Brasil tem 17,6 milhões de MEIs cadastrados, segundo a Fazenda. A pasta estima que cerca de R$ 6 bilhões em dívidas bancárias podem entrar na operação. O texto oficial diz que, sem o peso dessas dívidas, a expectativa é que os empreendedores voltem a ter acesso a crédito.

Um ponto ainda não foi detalhado: se o MEI terá algum valor residual a pagar depois da compra, e em que condições. Essa resposta deve vir no edital.

Moedas de real prateadas e douradas
Imagem ilustrativa. Foto: Eduardo Soares / Unsplash

 

O que já vale e o que ainda depende do Congresso

A portaria faz parte de um pacote maior para o pequeno empreendedor. Nem tudo tem a mesma força jurídica:

MedidaSituação
Compra de dívidas bancárias com desconto mínimo de 90%Portaria assinada; edital ainda será lançado
Perdão integral de dívidas com a União (R$ 12,6 bilhões, 3,6 milhões de MEIs)Projeto de lei complementar a ser enviado ao Congresso
Teto de faturamento de R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028PLP 186/2026, em tramitação desde junho
Contratação de um segundo funcionárioIncluída no PLP 186/2026
Dispensa de nota fiscal em vendas a pessoas físicasDecreto presidencial anunciado
Prioridade em compras públicas de até R$ 25 milNo projeto do perdão das dívidas

 

O que muda para você, conforme o seu caso

Pense em uma costureira MEI que fez um empréstimo de capital de giro de R$ 12 mil em 2024, atrasou parcelas e ficou com o nome negativado. Se a carteira desse banco for comprada pelo governo, ela não vai precisar negociar sozinha com o credor, e o desconto mínimo sobre o valor da dívida no edital é de 90%. O efeito prático esperado é a volta do acesso a crédito.

Já um MEI que deve DAS em atraso inscrito na Dívida Ativa da União está em outra situação: o perdão desse débito só vale se o Congresso aprovar o projeto. Até lá, a dívida continua existindo e pode impedir a emissão da certidão negativa.

Há ainda quem tenha as duas pendências ao mesmo tempo, o que é comum entre MEIs que passaram por um período de queda nas vendas. Nesse caso, as soluções correm em paralelo: a dívida com o banco pode ser resolvida pela compra da carteira, enquanto o débito com a União continua esperando o projeto de lei. Resolver uma não apaga a outra.

 

Por que a dívida bancária pesa tanto no caixa do MEI

Para o microempreendedor, a fronteira entre o dinheiro da empresa e o da pessoa é estreita. Um empréstimo em atraso no CNPJ costuma levar à negativação, e a negativação fecha portas que o negócio usa no dia a dia: limite no cartão para comprar mercadoria, antecipação de recebíveis da maquininha, financiamento de equipamento e até cadastro com fornecedores que vendem a prazo.

É esse ciclo que a Fazenda diz querer quebrar. Ao tirar a dívida antiga do balanço do banco, a expectativa oficial é que o MEI volte a ser visto como cliente apto a receber crédito. O resultado concreto, porém, vai depender das regras do edital e da adesão das instituições: banco que não vender sua carteira continua cobrando a dívida nos termos atuais.

 

O que fazer enquanto o edital não sai

  1. Não pague ninguém para entrar no programa. A Fazenda afirma que a negociação é feita diretamente entre governo e bancos.
  2. Liste suas dívidas por credor, valor e data do atraso. O Registrato, do Banco Central, mostra os empréstimos ligados ao seu CPF e CNPJ.
  3. Separe o que é dívida com banco do que é imposto em atraso: cada uma segue um caminho diferente.
  4. Mantenha o DAS dos meses atuais em dia, para não ampliar a pendência com a União.
  5. Acompanhe os canais oficiais da Fazenda e do Ministério do Empreendedorismo para a publicação do edital.

 

Dúvidas que estão aparecendo

 

Preciso me inscrever em algum site?

Não, por enquanto. O próprio governo informou que, no primeiro momento, o MEI não precisa tomar nenhuma providência. Mensagens pedindo cadastro com taxa são sinal de golpe.

 

Dívida de cartão de crédito da pessoa física entra?

O anúncio fala em dívidas de MEIs com instituições financeiras. Dívidas apenas no CPF, sem relação com o CNPJ, não foram citadas como parte desta fase.

 

Quando o novo teto de faturamento começa a valer?

Só depois da aprovação do PLP 186/2026. A proposta prevê R$ 110 mil a partir de 2027.

 

O que acompanhar nos próximos meses

Se você tem dívida com banco, então o documento a esperar é o edital de compra das carteiras, que vai dizer quais instituições aderiram e como fica o seu contrato. Se a sua pendência é com a União, então acompanhe a tramitação do projeto de perdão no Congresso. Se você está perto de estourar o limite de R$ 81 mil, então o PLP 186/2026 é o que pode evitar o seu desenquadramento: mais de 145 mil MEIs foram desenquadrados entre 2025 e junho de 2026, segundo a Agência Gov.

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