Quanto cobra uma agência de tráfego pago: fee fixo ou comissão?

Por Amigo Rico

21 de outubro de 2026

Uma agência de tráfego pago costuma cobrar de um destes jeitos: um valor fixo por mês (fee), um percentual sobre o dinheiro investido em anúncios, uma combinação dos dois, ou um pacote fechado de entregas. O que muda o jogo para você é outra coisa: saber se o preço apresentado inclui ou não a verba de mídia, porque são duas contas diferentes e muita proposta mistura as duas.

Este guia separa cada peça do orçamento, mostra como uma simulação com números redondos muda a percepção de preço e lista o que perguntar antes de assinar.

 

Os quatro modelos que aparecem nas propostas

Quase toda cobrança de gestão de anúncios cai em um destes formatos. Entender a lógica de cada um evita ser pego por um preço que parece barato e escala mal.

ModeloComo funcionaCostuma servir aPonto de atenção
Fee fixo mensalValor combinado por mês, independente da verbaVerbas pequenas e médias, rotina previsívelPode ficar caro se a verba for muito baixa
Percentual sobre a verbaAlgo como 10% a 20% do investimento em anúnciosContas que crescem e exigem mais trabalhoQuanto mais você gasta, mais a agência ganha
Fee fixo + variávelBase mensal mais bônus por meta (contatos, vendas)Quem quer alinhar interessesA meta precisa ser mensurável e justa
Pacote fechadoNúmero definido de campanhas, peças e relatóriosProjetos pontuais, lançamentosO que não está no pacote vira extra

Os percentuais da tabela são faixas que aparecem com frequência em propostas, não uma regra de mercado. Quem tabelar preço por você está vendendo certeza que não existe: o valor depende de complexidade, número de plataformas, volume de criativos e nível da equipe.

 

Honorário e verba de mídia são contas separadas

Esse é o ponto que mais gera confusão. A verba de mídia é o dinheiro que vai para Google, Meta ou TikTok, e deve sair do seu cartão ou da sua conta, direto para a plataforma. O honorário é o que a agência cobra pelo trabalho de planejar, criar, publicar e otimizar.

Quando a agência recebe tudo junto e repassa depois, você perde a visibilidade do quanto foi realmente investido. Exija que a conta de anúncios esteja no seu nome e que o pagamento da plataforma seja feito por você. Assim, o extrato da plataforma confere com o relatório, e uma divergência salta aos olhos.

 

Uma simulação com números redondos

Vamos a um exemplo inventado só para ilustrar, sem valor de mercado. Suponha uma clínica que investe R$ 5.000 por mês em anúncios e recebe quatro propostas:

  • Fee fixo de R$ 2.000: a gestão custa 40% da verba, mas não muda se você dobrar o investimento;
  • 15% da verba: R$ 750 por mês, que sobem para R$ 1.500 se a verba chegar a R$ 10.000;
  • Fee de R$ 1.200 mais bônus: a base é menor e o bônus depende de uma meta de contatos;
  • Pacote de R$ 3.500: inclui uma landing page e dez criativos, mas acaba em três meses.

Olhando só o valor mensal, o percentual parece o mais barato. Mas ele cresce junto com a verba: se a clínica chegar a R$ 20.000 por mês, os mesmos 15% viram R$ 3.000 e passam o fee fixo de R$ 2.000, que não mudou, embora o volume de trabalho da agência não tenha triplicado. O fee fixo fica mais vantajoso à medida que a verba cresce, e o percentual compensa quando a verba é pequena. A conta certa compara o custo por contato ou por venda no fim do trimestre, não o preço do mês.

Esse raciocínio conversa com outra conta que vale ter na mão: o quanto você pode pagar para conquistar um cliente. O post quanto custa conquistar um cliente mostra como montar esse limite.

 

O que costuma estar incluso e o que vira cobrança extra

Duas propostas com o mesmo valor podem entregar coisas muito diferentes. Antes de comparar, monte uma lista do que cada uma cobre:

  • número de plataformas (só Google ou Google e Meta, por exemplo);
  • quantidade de criativos novos por mês (imagens, vídeos, textos);
  • criação e ajuste de páginas de destino;
  • configuração de rastreamento (tags, pixel, conversões);
  • reuniões de resultado e frequência de relatório;
  • suporte fora do horário comercial.

Em geral, o que fica de fora é justamente o que faz a campanha converter: página, rastreamento e criativo novo. Se a proposta mais barata não inclui nenhum dos três, ela é barata porque entrega menos.

Mesa de escritório com smartphone e gráficos financeiros impressos
Compare o custo por contato no fim do trimestre, não o valor mensal da proposta. Foto: Jakub Żerdzicki / Unsplash

 

Onde dá para economizar e o que não cortar

Para negócios que estão começando, o Sebrae tem testado um caminho de capacitação. Uma matéria sobre a consultoria de tráfego pago do Sebrae descreve um piloto em Minas Gerais, com quatro encontros, que ensina o dono a montar campanhas, e compara esse custo com o de agências ou gestores, que podem passar de um salário mínimo por mês. Para quem tem verba curta, aprender o básico e contratar apoio só na fase de escala pode fazer sentido.

Dá para economizar em pacotes de redes sociais que você não usa, em relatórios longos que ninguém lê e em reuniões semanais quando uma quinzenal basta. Não dá para cortar o rastreamento de conversões. Sem ele, a otimização trabalha às cegas e a agência não consegue provar nada, nem a seu favor.

 

Taxa de setup, fidelidade e reajuste: as letras miúdas

Três cláusulas mudam o custo real de um contrato sem aparecer no valor mensal. A primeira é a taxa de setup, cobrada uma vez para estruturar contas, rastreamento e primeiras campanhas. Ela é razoável quando existe trabalho concreto e entrega definida, e abusiva quando é só uma forma de elevar o ticket do primeiro mês.

A segunda é a fidelidade mínima. Prazos de três a seis meses fazem sentido, porque campanhas precisam de tempo de aprendizado, mas contratos de doze meses com multa alta transferem o risco para você. A terceira é o reajuste: pergunte se o fee sobe automaticamente com a verba, com o IPCA ou com outro índice, e em que data.

 

Cobrança por resultado: quando ajuda e quando vira armadilha

O modelo variável soa justo: a agência só ganha mais se você ganhar. A prática é mais delicada.

 

Quando ajuda

Funciona quando a meta é clara (por exemplo, contatos qualificados, não cliques), medida no seu sistema e não só no painel da agência, e quando o bônus tem teto razoável. Também ajuda quando a base mensal cobre os custos reais da equipe, para que o bônus seja um estímulo e não o salário disfarçado.

 

Quando vira armadilha

Vira armadilha quando a meta é fácil de inflar. Contatos de baixa qualidade, formulários preenchidos por curiosos e cliques acidentais entram no relatório e rendem bônus, mas não geram venda. Defina por escrito o que conta como resultado e quem audita o número. Desconfie, ainda, de metas sem relação com o seu faturamento, como “aumentar o alcance em 40%”.

Se a agência também cuida de site, SEO ou conteúdo, o modelo muda: o fee passa a incluir equipe de várias áreas. Nesse caso, uma agência de marketing digital com escopo amplo pode cobrar mais, mas costuma diluir o custo de coordenar tudo em um único contrato.

 

Seu próximo passo: pedir a proposta com a verba separada

Mande a mesma mensagem para três agências: informe a verba mensal que pretende investir, a meta (contatos ou vendas) e peça que cada proposta traga, em itens separados, o honorário, as entregas incluídas, o que é cobrado à parte e a política de propriedade da conta. Com os três documentos lado a lado, a diferença de preço quase sempre se explica em uma linha.

Pergunte também qual foi o custo por contato médio de um cliente parecido com o seu nos últimos meses. Ninguém pode garantir o resultado, mas quem trabalha com método sabe responder com faixa e hipótese.

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