Com digitalização crescente e consumidores mais cautelosos, escolha do cartão passa a privilegiar controle, transparência e integração com contas digitais
O início de 2026 encontra o brasileiro mais atento ao uso do cartão de crédito num cenário de juros ainda elevados, expansão das contas digitais e forte concorrência de alternativas de pagamento instantâneo. Mesmo com métodos como Pix ganhando terreno no dia a dia financeiro, o cartão continua entre os meios mais usados, especialmente em compras online e parcelamentos.
Cartões ainda crescem, mas competem com Pix
A quantidade de cartões de crédito ativos no Brasil apresentou crescimento de dois dígitos no último ciclo recente, acompanhando a expansão geral do crédito no país. Dados oficiais indicam que a carteira de cartão de crédito total cresceu 17,1% no acumulado mais recente, acima de outros segmentos como crédito pessoal ou financiamento de veículos, conforme estatísticas monetárias recentes do Banco Central.
Apesar disso, a competição com o Pix, meio de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central em 2020, é um fator que redefine o uso dos cartões. Estudos apontam que o Pix deve ultrapassar o cartão como principal método de pagamento em e-commerce já em 2025, assumindo cerca de 44% do mercado de compras online, contra aproximadamente 41% do cartão de crédito.
Crescimento impulsionado pela digitalização
Os emissores digitais – fintechs e bancos sem agência física – ganham participação no mercado de cartões. Segundo dados de provedores de pagamento, instituições desse tipo já respondem por cerca de 41% do valor transacionado com cartão de crédito em compras online no país, refletindo a expansão dos serviços financeiros digitais e o comportamento dos consumidores.
Esse movimento acompanha o aumento de transações digitais em geral. Relatórios setoriais indicam que o total de pagamentos com cartões disparou nos últimos anos, com bilhões de transações registradas nos primeiros trimestres recentes, e os pagamentos por aproximação (contactless) crescendo de forma acelerada, representando uma parcela cada vez maior das compras presenciais.
O que pesa na escolha do consumidor
Analistas apontam que a definição do “melhor cartão de crédito” em 2026 depende de fatores além do limite ou programas de recompensa. Cada vez mais, os usuários valorizam:
- Transparência e previsibilidade: clareza sobre tarifas, juros e datas de vencimento é um critério cada vez mais citado por consumidores conscientes dos riscos de endividamento.
- Integração com contas digitais: ter o cartão conectado à conta digital permite acompanhar gastos em tempo real, ajustar limites instantaneamente e reduzir surpresas na fatura.
- Experiência digital: facilidade de uso dos aplicativos, notificações imediatas e autonomia para resolver questões sem atendimento presencial se tornam diferenciais competitivos.
Especialistas afirmam que esses elementos refletem a mudança de comportamento de um consumidor mais informado e cauteloso, que busca soluções financeiras alinhadas à sua rotina digital. A maior oferta de contas digitais amplifica essa tendência, concedendo ao usuário mais controle sobre suas finanças.
O papel estratégico dos bancos digitais
A expansão de bancos digitais e fintechs no Brasil é um dos motores dessa transformação. Ao combinar conta, cartão e ferramentas de gestão financeira num único ambiente, essas plataformas oferecem alternativas mais flexíveis às opções tradicionais. Em conjunto com a popularização de métodos como Pix, elas ajudam a criar um ecossistema financeiro mais competitivo — desafiando instituições tradicionais a inovar ou perder espaço.
Em 2026, a pergunta sobre “qual cartão de crédito escolher” deixou de ter uma resposta universal. Em vez disso, os consumidores priorizam soluções que equilibrem controle financeiro, transparência de custos e experiência digital fluida,características que definem as tendências do mercado de pagamentos neste ano.











