Migração ao ACL mantém ritmo elevado em 2025 e CCEE projeta mais 9,2 mil novos consumidores no 1º semestre de 2026

Por Amigo Rico

26 de fevereiro de 2026

Balanço da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica mostra 21,7 mil novas entradas no Ambiente de Contratação Livre, avanço puxado por pequenos consumidores e pelo modelo varejista

A migração de consumidores para o Ambiente de Contratação Livre (ACL) manteve ritmo acelerado em 2025 e consolidou o segmento como principal motor de transformação do setor elétrico brasileiro. Dados divulgados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) indicam que 21.707 novas unidades consumidoras concluíram o processo de entrada no ACL ao longo do ano.

O resultado reforça uma tendência de crescimento estrutural iniciada com a ampliação do acesso ao chamado Mercado Livre de Energia, modelo em que consumidores podem escolher seus fornecedores e negociar condições contratuais, em vez de adquirir eletricidade exclusivamente das distribuidoras locais no ambiente regulado.

Na comparação histórica, o volume de 2025 supera com folga o patamar de 2023, quando 7.397 unidades migraram, representando expansão de 193% em dois anos. Embora abaixo do pico registrado em 2024, com 26.834 migrações, o número confirma um novo nível estrutural para o mercado.

Crescimento distribuído ao longo do ano

O levantamento mostra que o avanço não se concentrou em meses isolados. Em 2025, janeiro registrou 3.017 migrações e novembro liderou com 3.136 novas entradas, enquanto dezembro somou 1.083 processos concluídos.

O comportamento mensal consistente indica que a migração deixou de ser um movimento pontual e passou a integrar a dinâmica regular de contratação de energia por parte de empresas e consumidores de menor porte.

Mesmo com a acomodação em relação ao recorde de 2024, o desempenho de 2025 sustenta a percepção de maturidade do ACL após a abertura para cargas menores.

Total de consumidores chega a 85,4 mil

O crescimento das migrações elevou o número total de consumidores registrados na CCEE para 85.450 ao fim de dezembro de 2025. Em janeiro de 2024, esse contingente era de 40.566 unidades, praticamente metade do volume atual.

Ao longo de 2025, o total passou de 67.436 em janeiro para 77.993 em junho, mantendo trajetória ascendente até o fechamento do ano.

Apesar do aumento expressivo no número de agentes, o consumo médio mensal apresentou variações mais moderadas. Depois de atingir 29.903 MW méd em janeiro de 2025, o indicador encerrou dezembro em 28.476 MW méd, sinalizando estabilidade relativa no volume contratado.

Varejo concentra 81% das migrações

O modelo varejista permaneceu como principal porta de entrada no ACL. Segundo a CCEE, 81% das migrações registradas em 2025 ocorreram via representante varejista, ante 19% no modelo não varejista.

Em números absolutos, as migrações via varejo somaram 17.495 unidades no ano. Para efeito de comparação, esse volume era de apenas 1.103 em 2023 e saltou para 19.864 em 2024, evidenciando rápida consolidação do segmento.

O balanço também aponta 3.499 migrações realizadas por agentes existentes e 713 por novos agentes, além das operações estruturadas via varejistas.

Serviços e comércio puxam adesões

Por ramo de atividade, o setor de serviços liderou em 2025, com 6.648 unidades migradas, seguido por comércio (4.098). Na sequência aparecem alimentícios (1.940), saneamento (1.790) e manufaturados diversos (1.780).

Outros segmentos com presença relevante foram minerais não-metálicos (904), metalurgia e produtos de metal (665) e madeira, papel e celulose (433).

A categoria classificada como “API” somou 2.029 migrações, mas a CCEE ressalta que o novo modelo digital de integração adotado por comercializadoras varejistas nem sempre permite identificar com precisão o ramo de atividade final do consumidor.

Projeção indica continuidade em 2026

Além do balanço consolidado de 2025, a CCEE projeta a entrada de mais de 9,2 mil consumidores no primeiro semestre de 2026, considerando estimativas de solicitações de migração e questões contratuais.

A entidade ressalta que os números podem sofrer ajustes posteriores por recontabilização, alterações de propriedade, desativações ou desligamentos. Ainda assim, a tendência apontada é de continuidade do ciclo de expansão.

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