Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito presidente em 25 de outubro de 2026, com 51,76% dos votos válidos e 99,78% das urnas apuradas, e o mercado financeiro reagiu ainda na noite de domingo. O EWZ, fundo negociado em Nova York que replica ações brasileiras, recuou 18,53% no pós-mercado, segundo o InfoMoney, e gestores passaram a projetar alta forte nas taxas dos títulos públicos na abertura de 26 de outubro.
O essencial: taxa subindo derruba o preço do título no extrato, mas a perda só se concretiza para quem vende antes do vencimento. Quem tem dinheiro para usar no curto prazo encontra no Tesouro Selic a opção menos sensível. Suspensões de negociação podem acontecer em dias de estresse e não mexem no que você já tem aplicado.
A leitura dos analistas ouvidos pelo InfoMoney é de que os preços dos ativos embutiam uma vitória de Flávio Bolsonaro. Com o resultado oposto, prefixados e títulos atrelados à inflação podem devolver parte ou toda a queda de juros acumulada desde o primeiro turno. Isso não é uma ordem para vender nem para comprar: é um aviso de que o extrato vai oscilar, e de que a decisão certa depende de quando você precisa do dinheiro.
Taxas de 23 de outubro contra o pico de 2 de outubro
A tabela abaixo mostra por que o investidor que comprou títulos longos em setembro e outubro viu lucro no extrato, e quanto desse ganho está exposto a uma reversão. Os efeitos de preço são estimativas do levantamento do InfoMoney sobre o Tesouro Direto, calculadas sobre a taxa de fechamento da sexta-feira, 23 de outubro.
| Título | Taxa em 2 de outubro | Taxa em 23 de outubro | Queda estimada no preço se a taxa subir 1 ponto |
|---|---|---|---|
| Tesouro Prefixado 2029 | não divulgada | não divulgada | cerca de 2% |
| Tesouro Prefixado 2032 | 14,15% ao ano | 12,89% ao ano | cerca de 4,4% |
| Tesouro IPCA+ 2050 | IPCA + 7,06% | IPCA + 6,42% | cerca de 20% |
O padrão é simples: quanto mais distante o vencimento, maior o tranco no preço para a mesma variação de taxa. Por isso o IPCA+ 2050 balança muito mais que o prefixado de 2029.
Quanto R$ 10 mil em IPCA+ 2050 perdem com um ponto de alta

Imagine uma aplicação que valia R$ 10.000 no fechamento de 23 de outubro. Pelos cálculos citados, uma alta de um ponto percentual na taxa faria o saldo do IPCA+ 2050 recuar para perto de R$ 8.000. A mesma aplicação no Prefixado 2032 cairia para algo em torno de R$ 9.560, e no Prefixado 2029, para cerca de R$ 9.800.
Esses números são uma fotografia. Se a taxa sobe dois pontos, o efeito praticamente dobra; se ela sobe e volta no mesmo dia, o extrato também volta. O que transforma a oscilação em dinheiro perdido é a venda.
Quem segura o título até o vencimento não realiza perda
Todo título do Tesouro Direto tem duas leituras de valor. Uma é o preço de mercado, que muda todo dia conforme as taxas negociadas. A outra é a rentabilidade contratada no momento da compra, que o Tesouro paga a quem leva o papel até a data final. Quem comprou IPCA+ 2050 a IPCA + 7% continua com esse retorno garantido no vencimento, mesmo que o extrato mostre saldo menor por meses.
A situação muda para quem precisa resgatar antes. Se você aplicou num título longo o dinheiro da entrada do apartamento ou da reserva de emergência, uma semana de taxas altas pode obrigar a vender no pior momento. É esse descasamento entre prazo do título e prazo do objetivo que pede revisão, não a eleição em si.
No sentido inverso, analistas ouvidos pelo InfoMoney apontam que juros reais muito altos, depois da reprecificação, podem abrir pontos de entrada para quem investe pensando em décadas. Comprar no meio de um dia de forte oscilação, no entanto, costuma significar pegar uma taxa que muda minutos depois.
Tesouro Selic como abrigo enquanto a curva oscila
O Tesouro Selic acompanha a taxa básica de juros, atualmente em 13,75% ao ano segundo o InfoMoney, e por isso quase não sofre com as variações de preço que atingem prefixados e IPCA+. Ele aparece nas análises como a opção de proteção no curto prazo, adequada para dinheiro que pode ser usado nos próximos meses.
- Reserva de emergência: o lugar natural é o Tesouro Selic ou outra aplicação com liquidez diária e pouca oscilação.
- Objetivo com data entre um e cinco anos: títulos com vencimento próximo dessa data reduzem o risco de vender com prejuízo.
- Aposentadoria e prazos acima de dez anos: a oscilação diária pesa menos do que a taxa travada na compra.
Botão de compra travado: o que significa a suspensão
Em dias de forte volatilidade nos juros futuros, o Tesouro Nacional interrompe temporariamente a negociação no Tesouro Direto. Quem tenta operar vê o aviso de mercado suspenso no site ou no aplicativo da corretora, e a negociação volta quando as taxas se acomodam, às vezes depois de minutos, às vezes no fim do dia. O motivo da pausa é publicado na página de avisos do próprio Tesouro.
A suspensão não afeta o que já está aplicado. Seus títulos continuam na sua conta de custódia, e a rentabilidade contratada não muda. O que fica impedido, por algumas horas, é comprar ou vender pelo preço do momento.
Vale correr para vender assim que a negociação reabrir?
Só se o dinheiro tiver destino imediato. Vender logo após uma reabertura costuma significar aceitar o preço mais deprimido da sessão. Para os outros casos, a sugestão prática é esperar a poeira baixar e rever a carteira com calma, comparando o prazo de cada título com o prazo do seu objetivo. Quem já acompanhava a escalada das taxas em setembro pode rever o que explicou aquele movimento no texto Tesouro IPCA+ disparou em setembro: o que explica a alta?
Copom de 4 de novembro, a próxima data no radar
O próximo marco para quem tem renda fixa é a reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central em 4 de novembro. É ali que se decide se a Selic fica em 13,75% ou muda de patamar, e o comunicado tende a orientar o humor da curva de juros nas semanas seguintes. Até lá, a oscilação deve continuar alta também no câmbio, como apontou o economista Gustavo Sung, da Suno Research. Para quem planeja viagem com o dólar em movimento, o texto Dólar abaixo de R$ 5: vale comprar moeda para viagem agora? traz as contas de cada forma de pagamento.











