Teto do MEI vai a R$ 140 mil: o que muda no faturamento e nas dívidas

Por Amigo Rico

17 de outubro de 2026

O Senado aprovou em 15 de outubro de 2026, por 78 votos a zero, o Projeto de Lei Complementar (PLP) 186/2026, que eleva o limite de faturamento do microempreendedor individual (MEI) de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil a partir de 2028. O texto, enviado pelo governo federal em junho e aprovado na Câmara um dia antes, por 461 votos a 4, também perdoa dívidas de MEIs com a União e permite contratar até dois empregados. Como os senadores não mudaram a versão dos deputados, a proposta seguiu direto para a sanção presidencial.

Para quem é MEI ou está perto de estourar o teto, a mudança define quanto dá para faturar sem migrar para microempresa e abre uma chance de zerar débitos antigos, desde que algumas condições sejam cumpridas.

Em resumo. O teto anual do MEI sobe de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028, e o número de empregados permitido passa de um para dois. Débitos do MEI com a União até 13 de outubro de 2026 podem ser perdoados, mas a baixa depende de pedido, de desistência de ações judiciais e de seis meses de pagamentos em dia. Em 2026, o limite continua sendo R$ 81 mil.

 

Quanto o MEI vai poder faturar em 2027 e em 2028

O limite de R$ 81 mil vale desde janeiro de 2018. Segundo o governo, a inflação medida pelo IPCA acumulou 55,4% entre janeiro de 2018 e maio de 2026, o que levaria o teto original para cerca de R$ 125,9 mil se ele tivesse sido corrigido, de acordo com o Poder360. A correção aprovada vem em duas etapas:

PeríodoLimite anualMédia mensal equivalente
2026 (regra atual)R$ 81.000R$ 6.750
2027R$ 110.000cerca de R$ 9.166
A partir de 2028R$ 140.000cerca de R$ 11.666

Quem abrir o MEI no meio do ano terá um limite proporcional aos meses de atividade, como já acontece. Na prática, um MEI aberto em julho de 2027 poderia faturar seis vezes a média mensal daquele ano, perto de R$ 55 mil até dezembro.

Há uma condição fiscal no texto: o aumento do teto fica vinculado à previsão da perda de arrecadação nas leis orçamentárias de 2027 a 2029. O governo estima renúncia de R$ 1,57 bilhão em 2027, R$ 3,15 bilhões em 2028 e R$ 3,38 bilhões em 2029, segundo o Poder360.

Comerciante sorridente atrás do balcão de uma pequena loja com prateleiras cheias
Pequeno comércio é um dos perfis mais comuns entre microempreendedores. Imagem ilustrativa. Foto: Ali Mkumbwa / Unsplash

 

Dois empregados no lugar de um: as regras da contratação

Pelo texto aprovado, o MEI poderá ter até dois empregados, contra um permitido atualmente. Cada um precisa receber um salário mínimo ou o piso da categoria profissional, de acordo com o resumo do projeto publicado pelo Poder360.

O projeto também autoriza a contratação temporária para substituir um empregado afastado nos casos previstos em lei, pelo tempo que durar o afastamento. Pense numa salgadeira que tem uma ajudante em licença-maternidade: ela poderá contratar alguém por tempo determinado para cobrir esse período sem perder o enquadramento.

 

Quem entra no perdão de dívidas e o que é exigido

A parte que mais gerou dúvida é a remissão, o perdão integral dos débitos. Segundo o Congresso em Foco, ela alcança contribuições devidas à União até 13 de outubro de 2026, inclusive valores ainda não inscritos em Dívida Ativa, com juros, multas e encargos. O governo calcula cerca de 3,6 milhões de beneficiários, e a estimativa do valor nominal perdoado divulgada pela imprensa varia de R$ 12,6 bilhões a R$ 12,9 bilhões.

O perdão não é automático. As condições descritas pelas reportagens a partir do texto aprovado são estas:

  • fazer um requerimento, cujo procedimento ainda será regulamentado pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), segundo o SBT News;
  • desistir de ações judiciais que discutam esses débitos e renunciar aos pedidos feitos nelas;
  • pagar em dia as contribuições que vencerem nos seis meses seguintes à entrada em vigor da lei; quem atrasar pode perder o benefício;
  • aceitar que valores já pagos antes da lei não serão devolvidos nem compensados.

Dívidas parceladas, inclusive em acordos ativos ou rescindidos, também entram, de acordo com o Poder360. Débitos com bancos ficam fora dessa remissão, que trata só do que o MEI deve à União.

 

O que muda para você, conforme a sua situação

Se você fatura até R$ 81 mil: nada muda em 2026. A vantagem aparece em 2027, quando sobra espaço para crescer sem trocar de regime.

Se você está perto de estourar o teto neste ano: cuidado. O novo limite só vale a partir de 2027, e a regra em vigor para 2026 continua sendo a de R$ 81 mil. Pela Lei Complementar 123, quem ultrapassa o limite em até 20% (até R$ 97.200) é desenquadrado a partir do ano seguinte e paga imposto sobre o excesso; acima de 20%, o desenquadramento retroage a janeiro.

Se você tem DAS atrasado: o perdão pode zerar essa conta, mas exige pedido formal e regularidade nos seis meses seguintes. Ninguém deve parar de pagar o DAS esperando a lei, porque os débitos posteriores a 13 de outubro de 2026 não entram na remissão.

Se você quer vender para o governo: o projeto permite licitações exclusivas para MEIs em determinadas faixas de contratação pública. As faixas exatas ainda dependem da redação final publicada.

 

Como se preparar até a sanção

  1. Consulte os débitos do seu CNPJ no Portal do Empreendedor e no Regularize, da PGFN, para saber se você tem algo anterior a 13 de outubro de 2026.
  2. Mantenha o DAS de outubro em diante pago no vencimento. Essa regularidade é a base para manter o perdão depois.
  3. Se você tem ação na Justiça discutindo débitos do MEI, converse com o seu advogado antes de qualquer pedido, porque desistir é condição para a remissão.
  4. Controle o faturamento mês a mês em 2026 sem contar com o teto novo.
  5. Se pensa em contratar um segundo funcionário, espere a sanção e o início de vigência antes de registrar a contratação.

Para acompanhar a tramitação oficial, a ficha do PLP 186/2026 na Câmara dos Deputados registra, em 16 de outubro de 2026, o ofício do Senado que comunica a remessa do texto à sanção. A Agência Senado também confirmou o envio. As orientações gerais sobre o regime ficam no Portal do Empreendedor.

 

Dúvidas que estão aparecendo

 

Posso faturar R$ 110 mil já em 2026?

Não. O limite de R$ 110 mil vale para o ano-calendário de 2027. Em 2026 continua valendo R$ 81 mil.

 

O perdão vale para dívida com banco?

Não. A remissão cobre débitos com a União. Para dívidas bancárias de MEIs existe outra medida em discussão, detalhada em Dívida de MEI com banco terá desconto mínimo de 90%: como vai funcionar.

 

Quem já pagou um parcelamento recebe o dinheiro de volta?

Não. Segundo a cobertura do SBT News, não há devolução, compensação ou ressarcimento de valores pagos antes da lei.

 

A contribuição mensal do MEI vai subir?

O projeto aprovado trata de limite, empregados, dívidas e licitações. As reportagens sobre o texto não apontam mudança no valor do DAS.

 

O que acompanhar nas próximas semanas

O presidente tem 15 dias úteis a partir do recebimento do texto para sancionar ou vetar trechos, prazo previsto na Constituição. Depois da publicação no Diário Oficial, o ponto que mais importa é a regulamentação da PGFN, que vai dizer onde e como fazer o requerimento do perdão e a partir de quando começa a contar o prazo de seis meses de pagamentos em dia.

Se você usa contador, peça que ele acompanhe essa regulamentação; se cuida sozinho das obrigações, vale comparar as opções em Contador ou aplicativo: qual economiza mais para o MEI?. Em caso de ação judicial ou débito alto, a orientação de um profissional de contabilidade ou de um advogado tributarista evita perder o benefício por um detalhe formal.

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