O Ministério da Fazenda publicou, em edição extra do Diário Oficial da União de 22 de outubro de 2026, a Portaria 3.127, que abre o edital de manifestação de interesse do Desenrola 3.0. O chamado é dirigido a bancos, credores e fundos que queiram vender ao governo carteiras de dívidas de pessoas físicas, e não ao consumidor endividado.
Por que o edital ainda não abre a renegociação
- Quem age agora: instituições financeiras, que informam ao governo o volume de dívidas que querem oferecer.
- Quem espera: o consumidor, que não precisa fazer cadastro nem pagar nada nesta etapa.
- O que vem depois: leilões em que a União compra as carteiras com desconto mínimo de 90%.
Segundo a Agência Brasil, a etapa serve para medir o interesse dos credores e o tamanho das dívidas por faixa de renda. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, foi explícito ao dizer que, por ora, não há convocação de famílias, pessoas físicas ou microempreendedores individuais.
Até 30 de outubro: bancos manifestam interesse
A chamada fica aberta até as 23h59 de 30 de outubro. Quem aderir terá cinco dias úteis para informar o volume exato de débitos que pretende oferecer, separado por faixas de rendimento dos devedores. O texto da portaria divulgado até agora não deixa claro se esse prazo conta da publicação ou do fim do edital.

Durigan estimou que até R$ 90 bilhões em dívidas antigas podem ser apresentados nessa primeira etapa. Com o desconto mínimo exigido, o custo máximo para o Tesouro comprar todo esse montante seria de cerca de R$ 9 bilhões, de acordo com o ministério.
Como funciona o desconto de 90% na prática
O deságio mínimo é a diferença entre o valor da dívida e o preço que a União paga ao credor. Numa carteira com R$ 10 mil em dívidas, por exemplo, o governo pagaria no máximo R$ 1 mil ao banco. Quanto desse abatimento chegará ao devedor na hora de renegociar ainda não foi definido pelo ministério, e é justamente essa regra que vai dizer se a parcela cabe no orçamento de quem está com o nome negativado.
Novembro: leilão das carteiras, ainda sem data oficial
Depois de conhecer o volume oferecido, o governo vai estruturar os leilões públicos em que comprará as carteiras. A data não consta da portaria. A expectativa de que o leilão ocorra em novembro, tratada no texto sobre quem terá desconto no Desenrola 3.0, depende do andamento desta fase.
| Etapa | Quem participa | Data |
|---|---|---|
| Publicação da portaria e do edital | Ministério da Fazenda | 22 de outubro de 2026 |
| Manifestação de interesse | Bancos, credores e fundos | Até 30 de outubro, 23h59 |
| Envio do volume por faixa de renda | Instituições que aderirem | Até cinco dias úteis |
| Leilão das carteiras | União e credores | Sem data oficial |
| Renegociação com os devedores | Consumidores | Sem data oficial |
Depois do leilão: quando o devedor entra em cena
Só depois da compra das carteiras o consumidor deve ser chamado para renegociar. O governo ainda não divulgou critérios essenciais, como tipo de dívida aceita, tempo mínimo de atraso, data de contratação e valores das faixas de renda. Também não está definido por qual canal as pessoas serão avisadas.
Enquanto isso, quem tem dívidas pode organizar a papelada: liste credores, valores e datas de atraso, e consulte seu CPF nos birôs de crédito. Isso facilita a adesão quando houver calendário. Quem é MEI e tem débito com banco deve acompanhar também a regra própria do programa, descrita em dívida de MEI com desconto mínimo de 90%.
Alguém me ofereceu incluir minha dívida no Desenrola. É verdade?
Não. Nesta fase nenhum consumidor pode ser incluído, porque quem escolhe as dívidas oferecidas são os credores. Cobrança de taxa para garantir vaga, pedido de senha ou link recebido por mensagem são sinais de golpe. Na dúvida, busque informação apenas em endereços gov.br. A fala do ministro sobre a 3ª fase reforça que não há convocação de pessoas físicas por enquanto. A próxima data concreta no calendário é 30 de outubro, quando termina o prazo dos bancos e o governo passa a ter o tamanho real do programa.











