Para apresentar dados de forma visual, escolha o formato pelo uso: infográfico para quem lê e consulta no próprio ritmo, apresentação para quem conduz uma reunião, vídeo animado para quem precisa mostrar um processo em sequência. A Mindo, estúdio de apresentações corporativas e vídeos em motion design, de São Paulo, reúne no portfólio público três formatos feitos para a Suzano, empresa do setor florestal: um infográfico ilustrado, um vídeo explicativo em animação 2D e uma apresentação institucional, cada um com um papel diferente.
O erro mais comum é começar pelo formato favorito e só depois descobrir que o público precisava de outro. O caminho inverso é definir quem vai olhar, em que situação e com quanto tempo, e só então escolher.
Como apresentar dados de forma visual sem perder o leitor?
Apresentar dados de forma visual funciona quando cada peça tem uma única pergunta para responder e uma ordem clara de leitura. Antes de abrir qualquer ferramenta de design, escreva essa pergunta em uma frase.
Depois, separe dado de explicação. Dado pesado vira gráfico, e a linha de infográficos do estúdio descreve esse trabalho assim: transformar dados pesados em gráficos, para mostrar os dados de maneira concisa e clara. A explicação em volta vira roteiro: o que o leitor vê primeiro, o que vem depois, o que fica de fora.
Três perguntas ajudam a escolher o formato:
- O público vai ler sozinho, sem ninguém explicando? Infográfico.
- Alguém vai apresentar, ao vivo, para uma sala ou uma chamada? Apresentação.
- O assunto é um processo com começo, meio e fim, e vai circular por e-mail, rede interna ou evento? Vídeo animado.
Infográfico ou vídeo animado: qual usar para explicar um processo da empresa?
O vídeo animado é a melhor escolha quando o processo tem etapas que dependem de ordem e movimento, e o infográfico é a melhor escolha quando o leitor precisa ver o conjunto de uma vez e voltar a ele. O vídeo conduz o olhar de quem assiste. O infográfico entrega o mapa inteiro, e quem lê decide por onde começar.
O portfólio público da Mindo mostra os dois lados com o mesmo cliente. No vídeo da Suzano sobre a Avaliação do Ciclo de Vida dos produtos da empresa, o vídeo usa animação 2D, em formato isométrico e estilo de quebra-cabeça, para mostrar o processo completo e sua conectividade. Segundo o estúdio, o processo de vídeo tem cinco etapas, nesta ordem: roteiro e storytelling, storyboard, locução, design e ilustração, e animação e motion graphics. O storyboard mostra as cenas e a sequência antes de a animação começar, o que evita refazer a animação por causa de uma ordem mal pensada.
Para vídeo, o estúdio recomenda 60 a 90 segundos e faz até dois ou três minutos sob orçamento. Se o processo não cabe nisso, vale quebrar em dois vídeos ou levar a parte densa para um infográfico.
Como fazer um infográfico corporativo, passo a passo?
Um infográfico corporativo nasce de um roteiro, não de um desenho. O primeiro passo é decidir a mensagem central e as três ou quatro ideias que a sustentam. O segundo é definir a ordem em que elas aparecem. Só depois entra a ilustração.
O infográfico da Suzano sobre o mercado de carbono mostra essa sequência. A Mindo estruturou o roteiro e o conteúdo a partir do briefing e das conversas com o cliente, e o projeto passou por cinco explorações de layout até o conceito aprovado. Esse conceito é uma única cena isométrica que reúne indústria, energia renovável e floresta na mesma paisagem, com emissão, descarbonização e neutralização numeradas e ligadas por chamadas aos pontos correspondentes da ilustração. A numeração diz ao leitor por onde começar.
Na prática, um processo de infográfico costuma seguir estes passos:
- Briefing: quem vai ler, onde a peça será usada (tela, impressão, anexo de relatório) e o que o leitor deve entender ao final.
- Roteiro: a mensagem central, as ideias de apoio e a ordem de leitura.
- Exploração de layout: duas ou mais propostas de composição para comparar antes de escolher uma.
- Conceito aprovado: a composição escolhida, com a identidade visual da peça definida sobre o guia de marca que a empresa já tem.
- Ilustração e revisão: o acabamento, com os ajustes finais e os arquivos no formato do uso.
Quais dicas de design valem para infográficos corporativos?
As dicas de design que mais pesam em infográficos corporativos são uma única cena, ordem numerada, legenda curta e a marca como base. Cada uma resolve um problema concreto de leitura.
- Uma cena em vez de vários quadros soltos: no caso da Suzano, indústria, energia renovável e floresta dividem a mesma paisagem, e o leitor entende a relação entre elas sem trocar de quadro.
- Números que guiam o olhar: etapas numeradas e ligadas por chamadas dizem a ordem de leitura sem texto longo.
- Texto curto ao lado da imagem: a legenda explica o ponto, e a ilustração mostra onde ele está.
- Marca no lugar certo: cores e tipografia do guia de marca ficam como base, e o estilo de ilustração fica a serviço da leitura.
Quando a apresentação é o formato certo para dados?
A apresentação é o formato certo quando existe uma pessoa conduzindo e o dado precisa ser interpretado na hora, com perguntas e conversa.
Para a Suzano, o estúdio criou uma apresentação institucional sobre a atuação da empresa no mercado de crédito de carbono, com foco no Projeto Horizonte de Carbono. Ele desenvolveu toda a narrativa e a identidade visual da peça, traduzindo um tema técnico numa história clara, e o material inclui a apresentação completa e um one pager. As apresentações do estúdio saem em PowerPoint 100% editável, o que deixa a equipe do cliente ajustar o material depois, sem depender de arquivos fechados.
O que pedir ao fornecedor antes de aprovar o formato?
Quem encomenda o material ganha tempo com algumas perguntas simples:
- Peça para ver duas ou mais propostas de layout antes da escolha, como na exploração de layout do infográfico da Suzano.
- Pergunte quem escreve o roteiro e o que o cliente precisa fornecer de conteúdo.
- No vídeo, peça o storyboard antes da animação e confirme quantas rodadas de revisão estão previstas.
- Confirme em que formato os arquivos chegam e se a apresentação é editável pela sua equipe.
- Combine, antes de começar, o que o cliente fornece e o que o fornecedor cria.
O estúdio trabalha com marcas já definidas: o estúdio constrói a identidade visual da peça sobre o guia de marca do cliente, e não define a identidade da empresa, que é trabalho de uma agência de branding.
Para entender como um estúdio pode entregar a apresentação e o infográfico no mesmo projeto, vale ler um guia sobre estúdio que entrega apresentação e infográfico no mesmo projeto.











