O Desenrola Adimplentes, linha que permite a trabalhadores informais trocar um empréstimo pessoal caro por outro com juros de até 1,99% ao mês, aceita pedidos só até 26 de outubro de 2026. O prazo foi prorrogado por 30 dias em 28 de setembro de 2026, e a renegociação está sendo feita pela Caixa e pelo Banco do Brasil. O tema das dívidas das famílias dominou parte do debate presidencial da Band, em 18 de outubro de 2026, o que aumentou a procura por informação sobre o programa.
Para quem paga um empréstimo pessoal com juros de mercado, a diferença pode passar de R$ 4 mil numa dívida de R$ 5 mil.
Em resumo: pode participar quem tem renda informal, não é servidor público nem aposentado ou pensionista e tem crédito pessoal sem consignado com saldo de até R$ 15 mil, pelo menos quatro parcelas pagas e atraso de no máximo 90 dias. O novo contrato tem juros de até 1,99% ao mês e parcela de no máximo 90% da original. O pedido vai até 26 de outubro, na Caixa ou no Banco do Brasil.
Quem tem direito ao Desenrola Adimplentes
O programa foi desenhado para quem não tem carteira assinada e, por isso, não consegue acesso ao consignado, a linha de crédito mais barata do país. O nome vem do fato de mirar quem ainda está pagando em dia ou com pouco atraso, antes de virar inadimplente.
Use a lista abaixo para conferir se você se encaixa. É preciso cumprir todos os itens:
- Ter renda informal, sem vínculo de emprego ativo.
- Não ocupar cargo, emprego ou função pública.
- Não receber aposentadoria ou pensão.
- Ter um empréstimo de crédito pessoal sem consignação em folha, incluindo os de consolidação de dívidas.
- Ter pago pelo menos quatro parcelas desse contrato.
- Estar em dia ou com atraso de até 90 dias.
- Ter saldo devedor de até R$ 15 mil por instituição.
Segundo a Caixa, a contagem das parcelas pagas e do atraso tem como referência a situação do contrato em 28 de junho de 2026, data de lançamento do programa.
Quais dívidas ficam de fora
O ponto que mais gera frustração na agência é o tipo de dívida. O Desenrola Adimplentes não aceita:
| Tipo de dívida | Entra no programa? |
|---|---|
| Crédito pessoal sem consignado | Sim |
| Empréstimo de consolidação de dívidas | Sim |
| Cartão de crédito, parcelado ou rotativo | Não |
| Cheque especial | Não |
| Crédito com garantia real (imóvel ou veículo) | Não |
| Crédito rural | Não |
| Consignado | Não |
Se o seu problema é o cartão, o caminho é outro. As regras e os juros do rotativo estão explicados no texto sobre dívidas no cartão de crédito.
Quanto você economiza saindo de 7% para 1,99% ao mês
De acordo com o governo, a taxa média do crédito pessoal para esse público gira em torno de 7% ao mês. Veja o que acontece num caso comum.
Imagine uma diarista com saldo devedor de R$ 5 mil e 24 parcelas restantes a 7% ao mês. Atualmente ela paga cerca de R$ 435,95 por mês. Com a troca:
| Cenário | Parcela mensal | Total a pagar |
|---|---|---|
| Contrato atual, 7% ao mês, 24 parcelas | R$ 435,95 | R$ 10.462,68 |
| Desenrola, 1,99% ao mês, 24 parcelas | R$ 264,06 | R$ 6.337,35 |
| Desenrola, 1,99% ao mês, 28 parcelas | R$ 234,64 | R$ 6.570,03 |
Mantendo o mesmo prazo, a economia é de R$ 4.125,33. Esticar o contrato em quatro meses alivia a parcela em mais R$ 29, mas encarece o total em R$ 232,68. Se o orçamento comporta a parcela de 24 meses, ela é a opção mais barata.
Os cálculos usam a tabela Price e são uma simulação. A taxa final é definida pelo banco, que pode oferecer menos de 1,99% ou recusar a operação.

Como fica o prazo e a nova parcela
O novo contrato quita o antigo por completo. As regras divulgadas pela Caixa fixam o prazo como o tempo que faltava no contrato original, com uma extensão opcional:
- Até 6 parcelas restantes: até 1 mês a mais.
- De 7 a 12 parcelas restantes: até 2 meses a mais.
- De 13 a 24 parcelas restantes: até 4 meses a mais.
- Mais de 24 parcelas restantes: até 6 meses a mais.
A nova parcela não pode passar de 90% da original e tem valor mínimo de R$ 50. Há ainda a possibilidade de crédito adicional de até 50% do saldo original, desde que a parcela respeite esse teto. Na prática, pegar dinheiro extra só faz sentido se for para quitar outra dívida mais cara.
O que muda para você até 26 de outubro
O programa tem uma contrapartida que pegou muita gente de surpresa: quem adere aceita um termo de autoexclusão das plataformas de apostas de quota fixa. O CPF fica bloqueado para apostar e depositar em bets por seis meses.
Os bancos privados não são obrigados a participar. A Febraban afirmou que a adesão é facultativa, e até a prorrogação as operações seguiam restritas à Caixa e ao Banco do Brasil. Quem tem o empréstimo em outro banco pode procurar uma das duas instituições, mas a aprovação não é garantida.
Siga esta ordem para não perder o prazo:
- Separe o contrato atual ou o extrato do empréstimo, com saldo devedor e número de parcelas pagas.
- Confira se a dívida é de crédito pessoal sem consignado. Se for cartão ou cheque especial, ela não entra.
- Na Caixa, manifeste interesse pelo WhatsApp 0800 104 0 104, na opção “Negociar Dívidas”, depois “Desenrola Brasil”, ou vá a uma agência.
- No Banco do Brasil, procure o atendimento da agência ou os canais oficiais do banco.
- Antes de assinar, compare a parcela e o custo total da proposta com o contrato atual.
Ninguém precisa pagar taxa antecipada para liberar a renegociação. Pedido de depósito para “aprovar o Desenrola” é golpe.
Perguntas de quem está tentando renegociar
Quem tem carteira assinada pode participar?
Não. O programa exige que a pessoa não tenha vínculo de emprego ativo. Para quem é CLT, a alternativa costuma ser a portabilidade para o consignado privado.
Quem já está com mais de 90 dias de atraso fica sem saída?
Fica fora desta linha. Para dívidas antigas, a terceira fase do Desenrola prevê compra de carteiras pela União com desconto mínimo de 90%, mas o calendário só começa em 2027.
O banco pode negar o pedido?
Sim. A adesão do cliente não obriga a instituição a aprovar a operação.
A renegociação limpa o nome?
O contrato antigo é quitado pelo novo, então a pendência daquele empréstimo deixa de existir. Você passa a dever ao novo contrato, com juros menores, e precisa manter as parcelas em dia.
Se você não conseguir até 26 de outubro
A medida provisória que criou o programa perde a validade em 26 de outubro, segundo a Agência Brasil. Não há, até o momento, anúncio de nova prorrogação. Se o seu pedido estiver em análise na data, guarde o protocolo e confirme com o banco se ele será concluído. Se você perdeu o prazo e a dívida virar inadimplência longa, acompanhe as regras do Desenrola 3.0, que mira débitos atrasados há mais de dois anos.











